“Se porta
como louca/ Achata bem a boca/ Parece uma bruxa/ Um anjo
mau/ Detesta todo mundo/ Não pára um segundo/ Fazer
maldade é seu ideal" – Rossini Pinto “Erva Venenosa"
("Poison Ivy", de Leiber/ Stoller).
Se existe algo que odeio é ter atrito
com qualquer um, tento ser aquele cara de boa, que conversa tranquilo com
todos, ri, conta piadas e tem tiradas inteligentes; tudo bem que saio da linha
em matéria de piadista, mas geralmente consigo fazer o ambiente ficar descontraído,
isso é bom, porém, durante a vida encontramos pessoas que por diversos motivos acham
que não somos boas pessoas, infelizmente não sei lidar com isso, e pior, ainda
sou educado, se a pessoa não gosta, tento sair da vida dela, tudo bem, não é
tanto por respeito a ela, mas porque fico constrangido, fico 24 horas pensando
se fiz alguma coisa (sim, porque a maioria não diz porque estão estranhas ou de
cara virada), e eu tenho essa qualidade de não me deixar ofender no sentido de
ter que cortar relações, alguém vem e me insulta, faz uma piada maldosa, e
estou pouco me importando, estou de boa, afinal, as pessoas erram, são grossas,
é normal, vamos conversar, rir de nossa existência e lidar com isso. Acredito que
esta seja uma de minhas grandes qualidades. Mas os últimos anos estão me
fazendo entrar em parafusos, sempre fui antissocial e me tornei um misantropo.
O que eu quero dizer é que não me sinto
bem na presença de quem não me quer, e faço realmente tudo para evitá-la, foram
poucas as vezes que me deparei com pessoas tão difíceis, estas pessoas posso
colocar na galeria de meus autointitulados arqui-inimigos, lembro que na
faculdade surgiu um amigo pastor que, só porque eu não trabalhava, achava que
eu era o escravo que devia fazer todos os trabalhos da faculdade, fora que me
chamava de vagabundo em todos os lugares, de pecador, e todas essas coisas
desconfortáveis, foi uma situação incômoda, eu sofria muito, não queria mais
estudar e tive que aguentar durante um ano em cárcere privado, estávamos no
mesmo grupo de TCC e imagine o inferno que foi. Sei que quando saímos da
apresentação do TCC, não falei Adeus, virei a cara, fugi e nunca mais entrei em
contato com ninguém, já tinha aquele maldito diploma e só queria minha
liberdade.
Já que o texto caminhou para isso, vamos
aos meus outros autointitulados arqui-inimigos, depois da faculdade existiu um
período realmente complexo, desta pessoa não falarei, ganhou o status de Lex
Luthor, mas depois disso, trocentos anos depois, entrei em meu primeiro
emprego, foi um momento mesmo complexo, aconteceram tantas coisas que um tipo de
cara ultra descolado, baladeiro, mas usuário de drogas (não que seja um
defeito, mas em ambiente de trabalho e influenciando outros é estranho) surgiu,
acabou que baixou o super-herói neste baixinho aqui e decidi que era hora de
acabar aquela putaria e denunciei. Aquilo criou um efeito dominó, muita gente
foi descoberta e milhões de cabeças rolaram, aí, é claro, meu inimigo passou a
me perseguir, ameaçar, e percebi que minha vida estava em risco, ou seja,
estava novamente preso numa situação complicada, fiquei depressivo, não queria
ir ao trabalho, comecei a faltar, quase literalmente me matei, quase
literalmente me mataram, a vida não fazia nenhum sentido, um grande amigo ficou
contra mim, mas hoje já voltamos a ser amigos, é meu melhor amigo inclusive, e
quando finalmente saí daquele emprego, foi um alívio imenso, quase um ano sem
falar com ninguém, definhando em um canto, querendo liberdade, até que fui
solto, podia viver em paz. Eu não suporto climas estranhos, não suporto ter
atritos, apesar de fazer a coisa certa e lutar pela justiça, pois é, fui criado
entre histórias em quadrinhos e sempre botei banca de Batman, é uma vida
solitária, mas é pela justiça.
Então... Depois de tudo aquilo, achei
que tinha encontrado a paz, entrei em um emprego público, e eis que depois de
um ano maravilhoso, com amigos incríveis, entrou alguém difícil, acabei me apaixonando,
pelo menos nisso varia, é minha primeira inimiga mulher, a Hera Venenosa,
ficamos, foi bacana, mas o veneno veio em seguida, e já estou naquele estágio
de não suportar mais, querer liberdade, partir para outro ambiente. Não consigo
ter mais contato e atrito com inimigos, simplesmente aposentei a máscara e a
capa, talvez eu volte numa versão heroica e aposentada, mas não tenho mais
força para fazer justiça e nem para aguentar dor de cabeça, tão pouco para
vê-la aos risos com meus amigos... Não consigo mais fazer faculdade por conta
do Pastor Maluco... Nem trabalhar em pedágio com uma arma em minha cabeça... Tão
pouco olhar ou passar ao lado de Hera Venenosa e vê-la destilar tanta falsidade
e sorrisos para pessoas que ela tanto criticou pelas costas... Não suporto ser
cordial com ela, porque eu não entraria no jogo dela de fingir educação e
fortalecer a falsidade, não posso ser igual aquele que me oprime ou prejudicou,
tento me anular para não ser grosseiro, evitá-la para não sofrer, não volto
mais de ônibus, ando 40 minutos só para não correr o risco de ficar preso no
mesmo espaço com ela (ponto de ônibus)... Eu abro caminho, descobri que fico
tremendamente abatido, fico o dia todo sem vê-la, tranquilamente, mas se em um
único momento cruzar com ela, se nossos olhos passarem ao lado um do outro, fico
deprimido, penso que estou preso nesta situação, preciso sair, dar espaço, não
quero lutar por nada, nem por justiça, nem pela reconquista, porque os vilões
não valem à pena. Porque será que sou tão sentimental? Já brinquei falando que
sou polêmico, mas que é uma péssima combinação ser polêmico e sentimental, e é
mesmo, em determinado momento surgirá alguém que, apesar de toda demonstração
de afeto que você dê, usará toda esta demonstração para te humilhar, rebaixar,
oprimir, transformar tua vida em um verdadeiro pesadelo.
Entrei no momento que sei que é só um
contar constante de tempo, cada minuto uma eternidade, aquela angústia
aumentando, vontade de sair logo, penso em pedir demissão, mas só não faço
porque pessoas que mandam em minha vida preferem me ver infeliz do que
desempregado. É uma merda, talvez me mate, não sei... Tento ter a esperança de
que o passado se repetirá, não que outro vilão apareça, mas que o final da angústia
chegue, eu seja demitido, ou ela, ou ela arrume algo melhor. Existe uma prova
que fiz no fim de semana, outro concurso público, talvez chame em Abril, é uma
esperança, isso que está me fazendo esperar, empurrar com a barriga, todos
fizemos a prova, pode ser que ela seja chamada, seria maravilhoso, espero muito
pelo fim do contato, não dá pra esquecer algo se você precisa estar no mesmo
lugar do problema todos os dias... Sobre a prova, eu podia passar, preciso,
necessito, é o passe mágico para fora do cárcere privado, que bom, mas podia
ser ela, ela merece ganhar mais e provar para a família que vale algo, já que
parece existir um problema entre ela e o pai... Vai ver já sabem quem ela
realmente é.
Só consigo me perguntar “Porque outro
inimigo? Porque esta galeria de rivais excêntricos? Um Pastor Maluco, Um Lex
Luthor que destruiu minha vida e me fez depressivo forever, Um Fumeta
Assassino e Uma Adepta fanática da Lei da Atração”, todos completamente
insensíveis.
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