segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

27/01/2014 - O Arqui-inimigo de Cada Dia nos Dai Hoje.

“Se porta como louca/ Achata bem a boca/ Parece uma bruxa/ Um anjo mau/ Detesta todo mundo/ Não pára um segundo/ Fazer maldade é seu ideal" – Rossini Pinto “Erva Venenosa" ("Poison Ivy", de Leiber/ Stoller).
              
Se existe algo que odeio é ter atrito com qualquer um, tento ser aquele cara de boa, que conversa tranquilo com todos, ri, conta piadas e tem tiradas inteligentes; tudo bem que saio da linha em matéria de piadista, mas geralmente consigo fazer o ambiente ficar descontraído, isso é bom, porém, durante a vida encontramos pessoas que por diversos motivos acham que não somos boas pessoas, infelizmente não sei lidar com isso, e pior, ainda sou educado, se a pessoa não gosta, tento sair da vida dela, tudo bem, não é tanto por respeito a ela, mas porque fico constrangido, fico 24 horas pensando se fiz alguma coisa (sim, porque a maioria não diz porque estão estranhas ou de cara virada), e eu tenho essa qualidade de não me deixar ofender no sentido de ter que cortar relações, alguém vem e me insulta, faz uma piada maldosa, e estou pouco me importando, estou de boa, afinal, as pessoas erram, são grossas, é normal, vamos conversar, rir de nossa existência e lidar com isso. Acredito que esta seja uma de minhas grandes qualidades. Mas os últimos anos estão me fazendo entrar em parafusos, sempre fui antissocial e me tornei um misantropo.
O que eu quero dizer é que não me sinto bem na presença de quem não me quer, e faço realmente tudo para evitá-la, foram poucas as vezes que me deparei com pessoas tão difíceis, estas pessoas posso colocar na galeria de meus autointitulados arqui-inimigos, lembro que na faculdade surgiu um amigo pastor que, só porque eu não trabalhava, achava que eu era o escravo que devia fazer todos os trabalhos da faculdade, fora que me chamava de vagabundo em todos os lugares, de pecador, e todas essas coisas desconfortáveis, foi uma situação incômoda, eu sofria muito, não queria mais estudar e tive que aguentar durante um ano em cárcere privado, estávamos no mesmo grupo de TCC e imagine o inferno que foi. Sei que quando saímos da apresentação do TCC, não falei Adeus, virei a cara, fugi e nunca mais entrei em contato com ninguém, já tinha aquele maldito diploma e só queria minha liberdade.
Já que o texto caminhou para isso, vamos aos meus outros autointitulados arqui-inimigos, depois da faculdade existiu um período realmente complexo, desta pessoa não falarei, ganhou o status de Lex Luthor, mas depois disso, trocentos anos depois, entrei em meu primeiro emprego, foi um momento mesmo complexo, aconteceram tantas coisas que um tipo de cara ultra descolado, baladeiro, mas usuário de drogas (não que seja um defeito, mas em ambiente de trabalho e influenciando outros é estranho) surgiu, acabou que baixou o super-herói neste baixinho aqui e decidi que era hora de acabar aquela putaria e denunciei. Aquilo criou um efeito dominó, muita gente foi descoberta e milhões de cabeças rolaram, aí, é claro, meu inimigo passou a me perseguir, ameaçar, e percebi que minha vida estava em risco, ou seja, estava novamente preso numa situação complicada, fiquei depressivo, não queria ir ao trabalho, comecei a faltar, quase literalmente me matei, quase literalmente me mataram, a vida não fazia nenhum sentido, um grande amigo ficou contra mim, mas hoje já voltamos a ser amigos, é meu melhor amigo inclusive, e quando finalmente saí daquele emprego, foi um alívio imenso, quase um ano sem falar com ninguém, definhando em um canto, querendo liberdade, até que fui solto, podia viver em paz. Eu não suporto climas estranhos, não suporto ter atritos, apesar de fazer a coisa certa e lutar pela justiça, pois é, fui criado entre histórias em quadrinhos e sempre botei banca de Batman, é uma vida solitária, mas é pela justiça.
Então... Depois de tudo aquilo, achei que tinha encontrado a paz, entrei em um emprego público, e eis que depois de um ano maravilhoso, com amigos incríveis, entrou alguém difícil, acabei me apaixonando, pelo menos nisso varia, é minha primeira inimiga mulher, a Hera Venenosa, ficamos, foi bacana, mas o veneno veio em seguida, e já estou naquele estágio de não suportar mais, querer liberdade, partir para outro ambiente. Não consigo ter mais contato e atrito com inimigos, simplesmente aposentei a máscara e a capa, talvez eu volte numa versão heroica e aposentada, mas não tenho mais força para fazer justiça e nem para aguentar dor de cabeça, tão pouco para vê-la aos risos com meus amigos... Não consigo mais fazer faculdade por conta do Pastor Maluco... Nem trabalhar em pedágio com uma arma em minha cabeça... Tão pouco olhar ou passar ao lado de Hera Venenosa e vê-la destilar tanta falsidade e sorrisos para pessoas que ela tanto criticou pelas costas... Não suporto ser cordial com ela, porque eu não entraria no jogo dela de fingir educação e fortalecer a falsidade, não posso ser igual aquele que me oprime ou prejudicou, tento me anular para não ser grosseiro, evitá-la para não sofrer, não volto mais de ônibus, ando 40 minutos só para não correr o risco de ficar preso no mesmo espaço com ela (ponto de ônibus)... Eu abro caminho, descobri que fico tremendamente abatido, fico o dia todo sem vê-la, tranquilamente, mas se em um único momento cruzar com ela, se nossos olhos passarem ao lado um do outro, fico deprimido, penso que estou preso nesta situação, preciso sair, dar espaço, não quero lutar por nada, nem por justiça, nem pela reconquista, porque os vilões não valem à pena. Porque será que sou tão sentimental? Já brinquei falando que sou polêmico, mas que é uma péssima combinação ser polêmico e sentimental, e é mesmo, em determinado momento surgirá alguém que, apesar de toda demonstração de afeto que você dê, usará toda esta demonstração para te humilhar, rebaixar, oprimir, transformar tua vida em um verdadeiro pesadelo.
Entrei no momento que sei que é só um contar constante de tempo, cada minuto uma eternidade, aquela angústia aumentando, vontade de sair logo, penso em pedir demissão, mas só não faço porque pessoas que mandam em minha vida preferem me ver infeliz do que desempregado. É uma merda, talvez me mate, não sei... Tento ter a esperança de que o passado se repetirá, não que outro vilão apareça, mas que o final da angústia chegue, eu seja demitido, ou ela, ou ela arrume algo melhor. Existe uma prova que fiz no fim de semana, outro concurso público, talvez chame em Abril, é uma esperança, isso que está me fazendo esperar, empurrar com a barriga, todos fizemos a prova, pode ser que ela seja chamada, seria maravilhoso, espero muito pelo fim do contato, não dá pra esquecer algo se você precisa estar no mesmo lugar do problema todos os dias... Sobre a prova, eu podia passar, preciso, necessito, é o passe mágico para fora do cárcere privado, que bom, mas podia ser ela, ela merece ganhar mais e provar para a família que vale algo, já que parece existir um problema entre ela e o pai... Vai ver já sabem quem ela realmente é.
Só consigo me perguntar “Porque outro inimigo? Porque esta galeria de rivais excêntricos? Um Pastor Maluco, Um Lex Luthor que destruiu minha vida e me fez depressivo forever, Um Fumeta Assassino e Uma Adepta fanática da Lei da Atração”, todos completamente insensíveis.

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